Companhia de Jesus

Somos a Companhia de Jesus, também conhecida como Ordem dos Jesuítas. Estamos presentes em mais de 130 países, atuamos há mais de 470 anos. Nossa Companhia produz conhecimento para o desenvolvimento social por meio da pesquisa cientifica e do aprofundamento intelectual.

Proporcionamos educação de qualidade para mais de três milhões de pessoas em uma das maiores redes de educação do mundo, a Rede Jesuíta de Educação, que abraça mais de 180 colégios, 200 universidades e faculdades e 2724 centros de Educação Popular Fé e Alegria.

Apostamos na inovação, na formação integral de crianças e jovens, no resgate da dignidade e integridade humana a partir do Evangelho de Cristo. Colaboramos com a transformação da sociedade através da Espiritualidade, da promoção social, do diálogo intercultural e inter-religioso, do serviço da fé e da promoção da justiça.

HISTÓRIA

Com o nascimento da Companhia de Jesus (Societas Iesu, SJ) acendeu-se um fogo novo num mundo em transformação. Começou-se uma nova forma de vida religiosa, não por empreendimento humano, mas por iniciativa divina. Tudo começou com uma amizade de três companheiros de quarto que estudavam na Universidade de Paris, em 1534. Guiados pelo basco Iñigo López de Loyola, conhecido posteriormente como Inácio de Loyola, Pedro Fabro e Francisco Xavier fizeram os Exercícios Espirituais. Ainda em 1534, o pequeno grupo era já formado por sete companheiros que tão somente desejavam consagrar inteiramente suas vidas a Deus. Desse modo, no dia 15 de agosto do mesmo ano, em Montmartre (França), fazem votos de pobreza, de serem ordenados padres (à exceção de Pedro Fabro, já presbítero) e de peregrinarem a Jerusalém.

Após os estudos de Paris, o grupo de amigos se dispersou com o compromisso de reencontrar-se em Veneza para daí embarcarem em peregrinação a Jerusalém. Nesta cidade, foram ordenados presbíteros a 24 de junho de 1537. Apesar de haverem a bênção e a autorização do Papa Paulo III para irem à Terra Santa, não conseguiram partir devido à situação tensa e conflituosa do lugar. Dispersaram-se outra vez comprometendo-se a se apresentarem ao papa e a se colocarem à sua disposição. Antes, porém, decidiram que a quem lhes perguntasse quem eram, responderiam: somos da Companhia de Jesus. Assim, escolhem o nome que os identificará ao longo da história, mas ainda não se compreendem nem constituem uma congregação religiosa.

Em seus corações, segue vivo o desejo de peregrinarem à Terra Santa quando, em 1539, o Papa Paulo III advertiu-lhes: “A vossa Jerusalém é Roma”. Era chegada a hora de definir o futuro do grupo. Entre março e junho de 1539, os primeiros companheiros buscavam através da oração e de diálogos qual seria a vontade de Deus para eles. Depois de intenso discernimento, chegaram à conclusão de que por Deus haviam sido reunidos e por causa dele deveriam conservar aquela união, congregando-se como instituto religioso sob a obediência de um dentre eles.

O fruto da deliberação dos primeiros companheiros foi apresentado ao papa Paulo III que o aprovou oralmente, reconhecendo a Companhia de Jesus em 3 de setembro de 1539. Um ano depois, no dia 27 de setembro de 1540, o mesmo Papa Paulo III aprova oficialmente a Companhia de Jesus com a bula Regimini militantis Ecclesiae. Em pouco tempo, os jesuítas se multiplicaram e se espalharam por todo o mundo nas mais distintas e inimagináveis missões. São Francisco Xavier, no Oriente, e o Beato José de Anchieta, no Brasil, são apenas dois exemplos do fervor apostólico e missionário da Companhia em seus primeiros anos. Apesar da supressão dos jesuítas por Clemente XIV, em 1773, o fogo aceso por Inácio e pelos primeiros companheiros não se extinguiu. Restaurada em 1814, a Companhia viu-se diante de um novo período em sua história, mas sua chama seguiu ardendo. Hoje, assim como ontem, a Companhia de Jesus é reconhecida no mundo inteiro pelo seu trabalho missionário e pela sua atuação nas áreas educacional, espiritual, intelectual e social.

VALORES

1) ESPIRITUALIDADE

Imprimir as pegadas de Deus em toda a parte, sabendo que o Espírito de Cristo está ativo em todos os lugares e situações, e em todas as atividades e mediações que procuram torná-Lo mais presente no mundo. A espiritualidade leva-nos a sujar os pés e as mãos nas favelas, nas regiões pobres, a gastar o corpo em vista dos demais. O ESPÍRITO a animá-la se escreve em caixa alta e chama-se terceira pessoa da Trindade. Ela nos envolve todo por dentro, move-nos o coração a lançar-se com coragem na entrega diária aos irmãos. Não há espiritualidade sem práxis cristã em que a pessoa inteira se compromete com a transformação da realidade na linha da paz e da justiça.

2) PROFUNDIDADE

O olhar profundo atravessa a percepção dos cinco sentidos. Estes captam o exterior, as flores, as cores. A profundidade vai ao interior, à seiva, ao artista que gera a exterioridade. Nesse movimento, esbarramos no mundo do sentido maior que nos ilumina o pensar e nos motiva o agir. Em mergulho ainda mais fundo, tocamos a última fonte de toda realidade: o Sentido radical. Na fé cristã, chamando-lo de Trindade. Atingimos a maior profundidade quando nos achegamos ao amor comunial trinitário. Aí repousa o espírito.

3) DIÁLOGO

A palavra vai e volta. Ao ir leva, ao voltar traz. No encontro dialogal os dois lados crescem. Se saírem como entraram, não dialogaram. Quando nos abrimos ao outro, habita-nos dupla experiência: a nossa identidade tem algo a dizer, enriquecendo o outro, e tem também limite a ser superado pela contribuição do outro. E em cada outro, na fé, experimentamos a presença do Outro divino. Todo diálogo fala de Deus, porque acreditamos no dom que Ele nos fez, derramou sobre o outro e transborda dos dois lados.

4) MISSÃO

Nossa missão é o serviço da fé e a promoção da justiça, do diálogo intercultural e inter-religioso, restaurando a integridade e dignidade do ser humano, reincorporando-o à sociedade e estabelecendo relações justas com Deus, uns com os outros e com a Criação.

5) ESTABELECER RELAÇÕES JUSTAS COM DEUS

A globalização acelerou a expansão duma cultura que acentuou o sentido do indivíduo, a liberdade para escolher e um amplo acesso à informação; ao mesmo tempo, caracterizou-se pelo subjetivismo, pelo relativismo moral, pelo hedonismo e pelo materialismo prático. As rápidas mudanças culturais geraram, em muitas pessoas, um vazio interior, mas também suscitaram um interesse renovado pela religiosidade popular, uma busca de sentido e uma sede de experiência espiritual. Da nossa fé no Senhor surge o compromisso de estabelecer relações justas, olhando o curso da história da perspectiva dos pobres e marginalizados, aprendendo com eles e em favor deles.

Neste contexto, somos chamados a dar a conhecer o verdadeiro rosto do Senhor. Um Deus misericordioso que ama o ser humano sem medidas, que quer e deseja sempre restituir sua dignidade, sua alegria, sua força de viver. A fé é a nossa causa!

6) ESTABELECER RELAÇÕES JUSTAS COM OS OUTROS

No atual mundo globalizado, as forças sociais, econômicas e políticas não apenas fomentaram novas relações construtivas, entre os diversos grupos humanos, como também implicaram profundas divisões, aumentando a pobreza e a exclusão, a falta de equidade, e debilitaram as soberanias nacionais.

Da nossa fé no Senhor surge o compromisso de estabelecer relações justas, olhando o curso da história da perspectiva dos pobres e marginalizados, aprendendo com eles e em favor deles.

Nas nossas sociedades divididas, somos chamados a construir pontes e a colaborar, nos nossos ministérios, para apoiar uma globalização na solidariedade e sem marginalização. A justiça é a nossa causa!

7) ESTABELECER RELAÇÕES JUSTAS COM A CRIAÇÃO

A espiritualidade da Companhia de Jesus (espiritualidade inaciana) sublinha o bom cuidado de todas as criaturas, apreciando a presença de Deus em todas as coisas. No entanto, a atual destruição do meio ambiente ameaça o futuro do planeta, deslocando muitas comunidades e afetando de modo especial os povos indígenas.

Não se pode ficar indiferente e é preciso tornar-nos responsáveis pelo nosso lar, a terra.

Nos diferentes ministérios, temos a responsabilidade de fazer um apelo urgente a que se respeite a criação, como algo fundamental para manter uma correta relação com Deus e com os outros. O meio ambiente é a nossa causa!

Fonte: jesuitasbrasil.com