Exercícios Espirituais

Os Exercícios Espirituais são um método de oração que nasce da experiência espiritual de S. Inácio de Loyola, e que está registrado no livrinho dos exercícios. Não é um livro para ser lido, mas um caminho a percorrer, uma maneira vital de dispor-nos inteiramente à ação do Espírito (“deixar-nos conduzir pelo Espírito”), que nos transforma e liberta o nosso coração de todo desejo desordenado para buscar, encontrar e realizar a vontade de Deus na nossa própria vida.

Os EE são uma escola de oração, de escuta, na qual a pessoa é convidada a descobrir Deus e seu projeto, ajudando-a a conhecer-se a si mesma, em suas luzes e sombras. Eles tem sido uma riqueza na vida da Igreja, uma proposta que já ajudou uma infinidade de pessoas, ao longo de cinco séculos, em sua busca de Deus, ganhando profundidade, sentido e compromisso em suas vidas.

Por isso falamos em “espiritualidade inaciana”, ou seja, a maneira de compreender a ação de Deus, o Evangelho e o nosso lugar no mundo, que se enraíza nesse percurso primeiro de S. Inácio.

Assim como exercitamos nosso corpo, também a vida interior dever ser exercitada. Os EE são como aparelhos de ginástica que ajudam a expor-nos à ação de Deus e a assumir seu chamado para viver a plenitude de vida que Ele nos oferece. Seguem um processo metódico e progressivo que se acomoda ao que cada um vai experimentando, com a ajuda de um guia pessoal (acompanhante) que, semelhante a um treinador, assegura sua reta aplicação e sua correspondente adequação.

Enfim, os EE de S. Inácio são um caminho de liberdade e conhecimento que nos ajudam a nos libertar de tudo o que trava e impede viver a felicidade que Deus deseja para cada um de nós e para o próximo. Rezando como S. Inácio podemos estar atentos e descobrir o que o Senhor vai dizendo na realidade de nossa vida. Ele fala sempre!

 

Para quê fazer os Exercícios Espirituais?

Algumas considerações importantes:

  • é comum vermos pessoas que tomam decisões importantes na vida e em seguida as abandonam;
  • muitas pessoas iniciam um caminho de crescimento espiritual e depois de algum tempo desistem;
  • algumas pessoas tomam decisões levadas por um fervor pouco discernido e depois prejudicam a vida profissional e familiar;
  • outras pessoas vivem buscando novidades espirituais, novos gurus, a novidade do momento…

Neste contexto eclesial é que os EE tem sua importância e sua atualidade, pois ajudam a pessoa a:

  • buscar e encontrar a Vontade de Deus para suas vidas;
  • entrar num processo consistente de discernimento espiritual e de conversão ao Senhor;
  • abrir-se a Deus e ás necessidades dos outros;
  • reconhecer o seu caos interior, os seus desejos desordenados e as atitudes que a afastam de Deus e das pessoas;
  • tomar uma decisão importante, com base na fé, na esperança e na caridade e em união com Jesus Cristo;
  • sentir o chamado contínuo e insistente de Deus para realizar ações generosas diante de situações concretas da vida;
  • conhecer mais intimamente Jesus Cristo, amá-lo mais profundamente e segui-lo mais de perto;
  • crescer na vivência da fé e na prática da oração cotidiana;
  • aprender a tomar decisões inspiradas pelo Espírito e movidas pelo amor de Deus;
  • ordenar mais a vida para o louvor, a reverência e o serviço a Deus e aos irmãos.

Em outras palavras, os EE querem ser uma ajuda para levar a sério o Evangelho de Jesus Cristo; para romper as ataduras de nosso coração que nos impedem ser verdadeiramente livres para amar; para perceber o modo concreto como Deus nos convida a construir o Reino e a servir aos nossos irmãos como fiéis membros de sua Igreja; para não nos contentarmos com uma vida medíocre, de pouco gás, de horizontes curtos, e para investir nosso tempo e nossa vida da melhor maneira possível; para não ficarmos nas idéias, nos meros conceitos, nas considerações ideológicas, mas perseguir uma verdade que acontece numa experiência saboreada, prazerosa e estimulante. Finalmente, para poder entender, não só a partir da cabeça, mas sobretudo a partir do coração, o que o Apóstolo Paulo quer dizer quando exclama: “Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gal. 2,20).

 

Como são feitos os Exercícios Espirituais?

Há diversos níveis de intensidade e que tem a ver com a capacidade de cada pessoa, de acordo com sua disponibilidade e o que ela deseja e busca em sua vida. Os EE completos são praticados durante um mês inteiro, retirando-se da vida cotidiana e em silêncio. Eles são feitos em momentos importantes, quando é preciso tomar grandes decisões ou revisar a própria vida a fundo.

Aqueles que não podem contar com a possibilidade de desvincular-se de seus compromissos durante um mês, e se são disciplinados e comprometidos, podem fazer os EE no curso de sua vida cotidiana (EVC), durante um ano, reservando um tempo diário para isso.

Há outras possibilidades de fazê-los em retiros mais reduzidos, em menos tempo, sendo uma ajuda importante para ir deixando que o Evangelho ilumine a vida e ajude a ordená-la nos afazeres de cada dia.

Enfim, os EE são uma proposta espiritual. Trata-se de dedicar alguns dias (um mês, oito dias, finais de semana, ou outras possibilidades) a buscar, no silêncio e na oração, a Deus e sua vontade para a própria vida.

Em cada uma destas modalidades, os EE são exercícios de oração pessoal, de unidades de tempo reservadas exclusivamente para a intimidade com Deus. Neles são utilizados tudo aquilo que a Igreja emprega para assegurar a transformação do ser humano em Cristo: saborear a Palavra de Deus (meditação, contemplação, repetição), exame da própria vida, guia espiritual, vida sacramental e litúrgica, transbordamento no serviço aos outros…

Essas experiências afetam totalmente a pessoa naquilo que ela sente, projeta e realiza ao longo do processo, numa atitude de acolhida do que o Senhor lhe quer comunicar através daquilo que ela experimenta.