Experiência pessoal com Deus

Por Wêdja Domingos de Melo

Vivendo em um grande centro urbano ou em uma pequena cidade, estamos constantemente estimulados a consumir e hiperconectados, com grande acesso às mais diversas informações, que nem sempre se torna conhecimento, nem se transforma em sabedoria. Apressados para cumprir os mais diversos compromissos, entregamo-nos ao barulho, à distração e à dispersão. A sociedade cobra, cada vez mais, eficiência e produção, gerando exacerbada competitividade e busca por reconhecimento.

Nota-se, ainda, o avanço tecnológico e o crescente uso da Inteligência Artificial (IA) em todos os setores da sociedade. Por um lado, essas ferramentas auxiliam as pessoas em suas atividades e as ajudam a otimizarem o tempo, que parece correr mais veloz. No entanto, observa-se que estas estão mais esgotadas e doentes física e emocionalmente.

Em meio à “sociedade do cansaço”, da insatisfação e da pressa, inúmeras pessoas tomam consciência de que precisam cultivar uma espiritualidade. Não é necessário o afastamento das atividades habituais e rotineiras para se fazer uma experiência pessoal com Deus. Somos convidados a “ver Deus em todas as coisas e todas as coisas em Deus” e, como Santo Inácio de Loyola, sermos “contemplativos na ação”.

Para se experienciar Deus na realidade da vida, faz-se necessário cultivar o silêncio, educar os sentidos e abrir-se para cultivar uma espiritualidade encarnada, própria para pessoas ousadas, que não se acomodam, mas desejam desenvolver o autoconhecimento e buscam fazer a travessia de uma vivência limitada e limitante da existência para uma vida plena de sentido, aberta ao outro, com disponibilidade para servir, integrando a fé ao fazer cotidiano.

Toda missão nasce de um encontro pessoal com Jesus. Desse encontro, há um convite do Mestre a estar com Ele (Jo 1,39), e depois, a ir aonde Ele mesmo deveria ir (Lc 10,1). Jesus nos atrai, nos seduz (Os 2,16), nos deixa “enamorados/as d’Ele”, nos convida a ir a Ele (Ct 2,13b) e nos envia como seus representantes/ discípulos.

A nós cabe a docilidade à sua voz e o desejo de configuração com à pessoa de Jesus. O Espírito Santo vai nos capacitando para anunciar a Boa Nova do Reino a partir de uma assimilação da Palavra (Mt 7,24) que, aos poucos, nos leva a ter os mesmos sentimentos do Filho (Fl 2,5), que é Imagem do Pai.

Para refletir e rezar:

  1. Tenho criado espaço de silêncio e solitude para conectar-me com o meu interior e encontrar Deus?
  2. Tenho cultivado a minha espiritualidade, por meio da oração pessoal?
  3. O que mais tem me ajudado nesse processo e o que mais tem atrapalhado?