Ir. Consolação de Matos (Consola)

Cresci ouvindo e rezando a profissão de fé católica: “…Creio na ressurreição da carne e na vida eterna”, que é a conclusão do nosso Credo, após professarmos uma lista de atos de fé. São Paulo me diz: “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa fé…” (1 Cor 15, 14). Quantas vezes cantamos na Vigília Pascal: “Ó morte onde está tua vitória?” (1Cor 15,55). Se tenho referência de alguém que não morre, por que não me alegrar com Ele?
Sempre acreditei que vou ressuscitar como Cristo, porque acredito no que Jesus falou: “... e sairão dos túmulos: aqueles que fizeram o bem vão ressuscitar para a vida...” (Jo 5, 29). E na palavra escrita, sob o testemunho dos apóstolos no Novo Testamento, “tenho em Deus a mesma esperança que eles têm, ou seja: que todos vão ressuscitar…” (At 24,15).
Entendo que esses também aprenderam da fé recebida dos seus antepassados sobre uma futura ressurreição corpórea, como escreveram: “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna…” (Dn 12,2); “…Os teus mortos hão de reviver e seus cadáveres se levantarão. Os que dormem no pó vão acordar e cantar, pois o teu orvalho é um orvalho de luz, e a terra das sombras dará à luz.”. (Is 26,19).
Com os salmistas, rezamos esta certeza do Deus que nos tira dos abismos: “Tu, que me tens feito ver muitas angústias e males, me restaurarás ainda a vida e de novo me tirarás dos abismos da terra” (Sl 71,20); “...não me abandonarás ao túmulo, nem deixarás o teu fiel ver a sepultura”. (Sl 16 (15),10). Logo, a ressurreição do próprio Jesus se fez visível na existência dos apóstolos.
Se ao assumir a Cruz, Jesus entregou-se a si mesmo, por nós, expressando seu Amor incondicional pelo Pai, a Ressurreição é a expressão de Amor do Pai pelo Filho, que respondeu com fidelidade o projeto da Encarnação em sua totalidade.
Que relação tem a certeza da ressurreição com a realidade do mundo atual?
Crer na Ressurreição é ter atitudes que contrapõem a um mundo desumanizado:
- A busca pela imortalidade e vida eterna é um desejo antigo da humanidade. E, em tempos de Inteligência Artificial, vemos cada dia multiplicar os cuidados pelo corpo na busca por cosméticos, medicamentos, exercícios físicos, conforto exagerado, que movem as indústrias e cientistas ao longo dos séculos a investigar formas de conter o envelhecimento. Mas, isso será possível?
- A expansão da “cultura da Morte”: medo, tensão ante o desconhecido, uma existência sem sentido, tristeza, contrapondo o chamado a uma vida alegre e esperançosa.
- Uma Vida sem sentido é a consequência da desordem individual e coletiva, causando tantas vidas ceifadas precocemente.
E nesse mundo que Deus ama, peço e quero a graça “de me alegrar intensamente por tanta glória e gozo de Cristo…”, ressuscitado. (EE.221)
Com olhos pascais, o Papa Francisco incansavelmente insistiu no modo de vida que precisamos construir, baseado nos valores existenciais da Alegria e da Esperança, em que se pode concretizar como um leve murmúrio a real ressurreição “já”, até que cheguemos à plenitude dos tempos quando tudo será unificado n’Ele: “Deus será tudo em todos”. (1Cor 15,28). Como seguidores de Jesus, devemos aprender a ler as Sagradas Escrituras e ver nelas um Deus da vida, cujo poder prevalece sobre o túmulo. Ousamos com o Papa Francisco a crer e a ter a esperança de que a morte não tem a palavra final.
VOCÊ CRÊ? EU CREIO E PARTICIPO DA ALEGRIA DO RESSUSCITADO!