Pe. Paulo Lisbôa, SJ

Algo bem novo está acontecendo no cenário eclesial global. O Papa Francisco, embora acamado e em sério tratamento no Gemelli [artigo escrito pouco antes da alta hospitalar do Santo Padre], assinou a Carta elaborada pelo Secretariado do Sínodo dos Bispos e que anuncia uma Assembleia Eclesial para 2028. Trata-se de um novo documento sinodal que estabelece a continuidade do último Sínodo, que parecia terminado no ano passado. Para os articuladores sinodais que respondem por todo o processo renovador da Igreja, era necessária uma 3a. fase que é a da “Implementação” do Documento Final de 2024, que se estenderá até 2028. Nesse ano dar-se-á essa Assembleia Eclesial, que não será um novo Sínodo. A meu ver, será a primeira vez que isso acontecerá na história da Igreja Católica.
Na apresentação dessa Carta, o Cardeal Grech, como o responsável último do Secretariado, resumia em poucas linhas ao dizer que “o coração da mensagem é que todos nós batizados somos todos discípulos e todos missionários, seriamente comprometidos com uma conversão de relacionamentos, para facilitar o encontro de Jesus com os homens e mulheres de hoje. O Sínodo ofereceu e oferece pernas e perspectivas para a conversão pastoral e missionária para a qual o Papa Francisco nos convidou desde o início de seu pontificado”.
Deixo uma primeira impressão de um teólogo que foi membro da Comissão de Comunicação da Assembleia Geral do último Sínodo, o padre Paulo Terroso, da Diocese de Braga. No trecho, é bem claro:
” […] A fase de implementação e de avaliação do Sínodo é altamente prioritária para o Papa Francisco e para a vida da Igreja. Esta Carta sobre o processo de acompanhamento e de implementação do Sínodo sublinha uma verdade fundamental: não há volta atrás. O caminho é irreversível. O caminho sinodal não é um evento isolado nem se esgota num documento, antes é uma dinâmica eclesial irreversível, que compromete não apenas o presente, mas também o futuro da Igreja. E este processo exige tempo e esta é a razão pela qual temos esta carta alguns meses depois do Documento Final da XVI Assembleia do Sínodo dos Bispos… ” Basta este parágrafo de como o padre vê a Carta, para nos colocar no ambiente de acolhida do que será a Assembleia Eclesial de 2028.
A Secretaria Geral do Sínodo já tem previsto para os próximos três anos os passos do processo que desembocará no mês da Assembleia:
- Em maio deste ano, a Secretaria publicará um Documento de Apoio para a fase de implementação.
- De junho deste ano até dezembro de 2026, será o tempo dedicado à reflexão sobre o Documento de Apoio pelas Igrejas Locais.
- De 24 a 26 de outubro de 2025, as equipes sinodais e órgãos de participação estarão em Peregrinação do Jubileu, em Roma.
- Em todo o primeiro semestre de 2027, haverá assembleias de avaliação nas dioceses de todo o mundo.
- Durante o segundo semestre de 2027, haverá assembleias de avaliação nas conferências episcopais nacionais e internacionais, nas Estruturas hierárquicas orientais e outros agrupamentos de Igrejas.
- No primeiro semestre de 2028, haverá assembleias continentais de avaliação.
- Em julho de 2028, haverá a publicação do Instrumento de Trabalho para a Assembleia Eclesial, no Vaticano.
- Finalmente, em outubro de 2028, a celebração da Assembleia Eclesial.
Concretamente, sobre a Assembleia Eclesial, o Cardeal Grech, em longa entrevista dada à Mídia do Vaticano, definiu bem o significado dela. Eis a resposta dada: ” […] A Assembleia Eclesial será uma oportunidade para se reunir em nível de toda a Igreja os frutos amadurecidos. A possibilidade desta Assembleia Eclesial está inteiramente contida na saudação final do Santo Padre na conclusão da segunda Assembleia do Sínodo. Ele esclareceu que ‘em alguns aspectos da vida da Igreja indicados no Documento, bem como sobre os temas confiados aos Dez Grupos de Estudo que devem trabalhar livremente, para oferecer propostas, leva tempo para chegar a escolhas que envolvam toda a Igreja. Por isso continuarei a escutar os Bispos e as Igrejas que lhes foram confiadas’ … A Assembleia Final constitui o momento de síntese, capaz de colher os frutos desta escuta (o grifo é meu) … ”
Certamente, esta nova inspiração deste acontecimento vem do Espírito Santo que rege a Igreja. Recebida pelo Secretariado Geral do Sínodo dos Bispos em comunhão com o Papa Francisco, pede de nós, desde já, um acolhimento agradecido. Provavelmente nós, igreja Católica e outros Irmãos cristãos e até mesmo não crentes, estão abraçando mais esta tábua de salvação que é lançada a um mundo em terrível convulsão de guerras fratricidas.
Pelo menos em desejos sinceros de gente que deseja a paz verdadeira, proclamada por Cristo na sua Ressurreição, todas e todos procuraremos fazer algo em conjunto neste tempo quaresmal e jubilar, pelo e para o BEM de toda a humanidade.
“EIS QUE VENHO EM BREVE, E TRAGO COMIGO O SALÁRIO PARA RETRIBUIR A CADA UM CONFORME O SEU SALÁRIO ” Ap 22, 12
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Ecos do Jubileu da Esperança
Hoje, para que se veja a expansão das comemorações do Jubileu da Esperança fora de Roma, dou publicidade ao que aconteceu em dois regionais da CNBB. E, por sinal, o movimento de peregrinação pelas dioceses brasileiras é intenso. Nomeio as duas arquidioceses, bastante distantes uma da outra.
Em Fortaleza
O Santuário Arquidiocesano de Adoração celebrou, no dia 27 de fevereiro passado, o Jubileu da Segurança. Em uma noite longa de muita oração e partilha, uma centena de profissionais, incluindo gente das Forças Armadas do estado do Ceará, se uniram ao que se está realizando mundialmente neste Ano Santo especial. À Santa Missa e à Bênção com o Santíssimo Sacramento dada a todos os presentes, seguiu-se o último ato noturno com uma animada confraternização, regada de alguns petiscos cearenses. Segundo uma participante, a tenente Kelvia Kelle da Silva, da 10a. Região Militar, “a celebração foi um momento marcante no Jubileu 2025. Estar aqui é rememorar a minha infância, foi aqui que fiz a minha primeira comunhão. Estar aqui representando o Exército brasileiro, ao lado do capitão Barreto, me enche de gratidão”. São boas lembranças que vão se espalhando pelo mundo afora, como sinais da eficácia deste Jubileu: somos salvos pela Esperança que depositamos no Senhor do júbilo, que virá para sempre!
Em Porto Alegre
Aconteceu na semana passada, no dia 16 de março, o Jubileu dos Catequistas. Eram mais de 1.600 catequistas de todos os vicariatos da capital Riograndense. A programação de um dia todo foi muito intensa e o encerramento com a Celebração da Eucaristia, presidida pelo Cardeal Arcebispo Dom Jaime Spengler, ainda teve o ato litúrgico de ‘envio do mandato do Catequista’, para a continuidade de missão tão nobre! O Cardeal, em sua homilia, foi muito feliz em discorrer sobre o tema jubilar ao acentuar: ” Nós somos os peregrinos da Esperança e nossa esperança tem nome: Jesus Cristo. A nossa esperança é uma pessoa que nós testemunhamos e anunciamos com a nossa fé, como Ele mesmo nos ensinou… Nós somos gratos, muito gratos, extremamente gratos a todos os catequistas que doam o seu tempo para servir Àquele que é o Senhor do Tempo “.
Alegremo-nos e esperancemo-nos ainda mais com outras tantas manifestações de conversão que vão acontecendo nas grandes e pequenas dioceses brasileiras! Que o Senhor continue a derramar suas bênçãos e indulgências que curam e reanimam pessoas neste solo brasileiro tão desgastado, de modo especial, neste fim de Quaresma e em plena Campanha Ecológica da Fraternidade: a Esperança não decepciona.