Ao longo dos anos, a CVX vem amadurecendo seu reconhecimento como uma única Comunidade. Isto porque compreende-se que o estilo de vida assumido a partir de seus Princípios Gerais deve reverberar desde a vivência na pequena comunidade até à sua Coordenação Mundial.
E é da pequena comunidade que este texto quer falar pois é nela que o modo de ser CVX se revela. Quando um grupo de pessoas que partilha da espiritualidade inaciana se identifica com o modo de ser CVX e decide por sua filiação a uma instância nacional, é comum que adote um “nome” pelo qual será identificada a nova comunidade. Esse nome é como uma insígnia que define uma marca da sua história e expressa, em geral, uma devoção especial.
Quando discerniu por sua filiação, nossa comunidade assumiu o nome Beato Anchieta – era início dos anos 90, e ainda não havia acontecido a canonização. Naquele momento, porém, não tínhamos a dimensão do que ele viria a significar para nós. Com o passar dos anos, com as histórias de Anchieta que o Pe. José Fernandes, SJ, Diretor do Patteo do Colégio no tempo de sua reabertura, nos contava, fomos tomando conhecimento do tamanho desse homem, reconhecido como Apóstolo do Brasil. E de um nome, passamos ao encantamento por uma vida.
Toda comunidade CVX é essencialmente apostólica. Os anos foram fazendo com que descobríssemos a inspiração do Apóstolo do Brasil em nossas missões. Anchieta nos ensina o serviço humilde aos mais necessitados, os preferidos de Jesus. Descalço e a pé andou por nossas terras em um tempo hostil, decidido a salvar as almas – e não apenas as dos povos originários, mas, também, as dos colonos desregrados que para aqui vieram. Encontrou na sua escrita o meio de falar de Deus àquelas gentes. Transformava em teatro as festas cristãs: ora falar da criação do mundo, ora receber uma imagem que chegava de Portugal, ora falar da vida de um santo... ensaiava seus atores, pessoas simples daquele povo misturado, com o desejo de que experimentassem verdadeiramente aquilo que encenavam. A apresentação de seus autos, reunindo pessoas nas praças e nos adros das igrejas, era o sopro que aliviava o duro e violento cotidiano da vida na colônia.
E, nós, que assumimos seu nome como comunidade, desejamos viver nossos apostolados individuais levando esse mesmo sopro aos que encontramos no caminho. Os membros de uma comunidade CVX nem sempre assumem os mesmos trabalhos apostólicos. Deus nos chama pelo nome, singularmente. A vida comunitária, porém, é movida pelo discernimento, envio, apoio e avaliação da caminhada individual e é esse movimento que nos faz descobrir que vivemos uma Missão Comum, que é a própria missão de Cristo. Para além disso, nossa comunidade se sente chamada a uma mesma inspiração: conhecer mais Anchieta, trazer para nossos apostolados a sua presença, o seu modo de ser. E, a cada mês de junho, celebrar aquele que agora é santo. Neste ano, em especial, celebramos os 460 anos de sua ordenação presbiteral, o que nos faz lembrar do sacerdócio exercido com fidelidade e entrega a Deus.
Divulgar sua vida é, para nós, motivo de alegria. Anchieta ainda tem muito a dizer a nós, inacianos, à Igreja e ao Brasil. Co-padroeiro de nosso país, Patrono dos Professores e dos Farmacêuticos, Padroeiro dos Catequistas... e tantas outras designações dedicadas a Anchieta não podem ser somente títulos. É preciso caminhar junto com ele, pedir sua graça, desejar ter seu olhar compassivo e inspirar-se pela criatividade de quem colocou-se inteiramente a serviço do Reino. É assim que queremos fazer do santinho corcós, como lhe chamava Cecília Meirelles, nosso companheiro de missão. Que São José de Anchieta continue a nos abençoar e inspirar.